𒆳 Diário de Bordo 001-43

 


Em meados de 2032, um pequeno meteorito foi observado por um grupo de estudantes da Universidade de Michigan através do Telescópio Subaru, localizado no Havaí. Logo ele passou a ser acompanhado pela NASA, fato intrigante, pois, era muito pequeno. A agência determinou através da análise do espectro de cores emitidas pelo bólido que haviam no mínimo três elementos desconhecidos no corpo do meteorito.

O interesse na extração e utilização destes elementos não passou despercebido e a mídia da época noticiou em larga escala que dezenas de empresas e organizações governamentais tentavam criar um método para capturar a pequena pedra antes que ela se esfacelasse em nossa atmosfera.

Nada foi criado a tempo e em tese o meteorito foi incinerado ao entrar na nossa atmosfera próximo a região central do Haiti. Eu falo em tese, pois, agora sabemos o que ocorreu realmente.

Me chamo Miguel Lopez e na época tinha 15 anos. Lembro muito bem das notícias na televisão. Supostamente um tal de Adisa, Adeben ou alguém assim, morando no Haiti, foi infectado por uma coisa que só havíamos visto no cinema. O primeiro zumbi causou no pequeno país pobre e em menos de duas semanas toda a ilha já havia sido isolada.

Como sabemos, esse tipo de infecção é difícil de deter e em um ano já haviam mortos-vivos atacando pessoas em todos os continentes da Terra. Supostamente o meteorito não se dissolveu na atmosfera, ele trouxe três novos elementos ao cair, dois deles inofensivos, mas um com potencial biológico para elevar o nível de infecção de muitos vírus, bactérias ou qualquer coisa que entrasse em contato.

Ao cair em um rio na cidade de L'Estere ele potencializou as propriedades de um peixe da família dos tetraodontídeos, conhecido localmente como Fugu, ou Baiacu. As neurotoxinas desse animal, que tinha a fama local de trazer os mortos de volta a vida, deram origem as crenças da religião Vodu. Essas neurotoxinas eram conhecidas dos pesquisadores desde os anos 80, porém em contato com a biomatéria do meteorito criou uma super contaminação que foi capaz de matar todos os animais do rio e claro, mudar as pessoas ao redor, criando um verdadeiro apocalipse zumbi.

E esse é o mundo em que vivo em 2043, cidadelas foram construídas atrás de muralhas, algumas são subterrâneas e outras em ilhas. Sobreviventes foram testados a exaustão e quarentenas duravam até três meses para a total certificação de que não havia infecção.

Hoje completo meu primeiro diário de bordo na Nave Izaiah, de tecnologia elétrica, uma evolução dos antigos veículos da Tesla, que foram desmontados e remontados conforme cada cidadela precisava. Incialmente a Izaiah trazia recursos, alimentos e materiais do mundo zumbificado. Agora é uma nave batedora da cidade estado de Nova Montevideo, composta em maioria por sobreviventes Uruguaios.

Nossa missão: localizar e capturar zumbis com mais de 80% da substância Zimbina, com estes números somos capazes de aplicar a cura.

Fim do diário 001-43/ML-I